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O professor e as condições do espaço de ensino: reflexões



Quem Entra aqui no blog deve ter percebido o ritmo lento das postagens. É que a correria com a faculdade e mais o Listas Literárias tornam o dia um bocado curto. Contudo, tenho produzido alguns textos para graduação, e alguns acho que seria legal compartilhar por aqui, além de movimentar o blog, é claro. Por isso, no texto abaixo que foi uma avaliação de disciplina discorro sobre a atuação dos professores.

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Mesmo considerando que os problemas resultados das más condições físicas (de espaço e de material) do trabalho docente sejam antes uma questão econômica e política do que didático-pedagógica, ou seja, trata-se de um problema de gestão pública, não poderíamos abordar o processo de ensino e aprendizagem de língua sem situá-lo no contexto onde ocorre. (Wittke 2015)

O respectivo excerto retirado de Ensino de Língua e Formação Docente nos propõe algumas reflexões relevantes quanto à participação do contexto nos resultados da aprendizagem escolar. É inegável que em geral, neste país, as realidades escolares são as mais distintas possíveis, e mesmo numa única cidade é possível observar tais distorções. Em boa parte temos estruturas decadentes nas quais professores, servidores e estudantes precisam dividir espaço e construir possibilidades de aprendizagem. É fato também que em algumas escolas, mesmo as públicas, há uma estrutura minimamente razoável, e, em alguns casos, certamente menos do que o desejado, estruturas capazes de ofertar ótimas condições de trabalho. Todavia, nem sempre se estará determinado que em escolas deficientes de estrutura haverá péssimo desempenho de aprendizagem, tampouco estará garantido que em escolas com estruturas boas ou ótimas o desempenho escolar e a aprendizagem serão suficientes para melhorar os dados relativos às avaliações existentes. Isso, porque, a meu ver, em alguns momentos a habilidade – ou falta dela – dos professores é capaz de superar adversidades, ou sucumbir mesmo diante de boas condições de trabalho. Entretanto, está aí uma das perguntas essenciais a serem feitas, afinal, nós, professores, devemos de fato carregar um fardo e uma responsabilidade pelo sucesso ou não da aprendizagem? É possível que num sistema complexo como a educação tenhamos de depender de unicamente uma das partes envolvidas?
Certamente este não poderia (ou não deveria) ser o caminho. Não se pode colocar o professor para como se diz num jargão futebolesco “jogar em todas as posições”. Está na constituição que a educação é uma responsabilidade de todos, entretanto, não parece que este tem sido um contrato social nulo? Se por um lado as gestões políticas e econômicas da educação têm se mostrado ineficientes, boa parte da sociedade, da mesma forma, não se envolve para cobrar e fiscalizar ações que possam atuar em colaboração que se possibilite retroceder tal sucateamento. Enquanto isso, “a bola” segue sempre com os professores, ou são bons, ou são ruins, obrigando-os a lidar com a situação de modo que minimamente se possa equilibrar os problemas de contexto de tal modo que esses problemas sejam atenuados em relação à didática. Porém, isso é fácil? Cabe ao professor tal preocupação? Fácil sabemos que não é, e provavelmente não deveria ser uma preocupação, um objeto a desviar a atenção do profissional da área a qual ele sim é especialista: a didática.

Enfim, creio que estas breves reflexões sejam ainda muito superficiais, merecem um aprofundamento que neste espaço não é possível. Além disso, são reflexões que chocam-se com o imenso, atroz e quase inquebrantável muro das dúvidas, do como e do quê fazer para lidar com tal cenário? Sobre qual o papel do professor num contexto que lhe é desfavorável? Principalmente questionarmo-nos como, como estudantes, professores, podemos trabalhar para avançar neste campo de luta? Qual, efetivamente nosso papel nesse específico ponto? Sabemos que o contexto externo à ação prática do professor interfere diretamente na aprendizagem, negativamente (provavelmente na maioria dos casos) ou positivamente (no que deveria ser a regra) e refletir sobre isso de forma que se construam ações e propostas práticas que possibilitem trilhar novos caminhos, mais que um desafio, torna-se algo urgente e necessário para que possamos ainda acreditar que a educação seja de fato uma prioridade, numa sociedade que discursa muito, mas que fecha os olhos quando lhe convém e não raro exige do professor que seja quase uma espécie de super-herói capaz de atuar isoladamente numa esfera cujo “contrato” exige a participação e responsabilidades de todos.

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