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Vendedores de livros ou escritores? O sucesso dos "youtubers" nas livrarias



Sempre que uma nova onda toma conta do mercado editorial a discussão se repete "ser ou não ser literatura, eis a questão". Esse é o caso das recentes discussões envolvendo o sucesso editorial dos livros de youtubers que dominam as listas de livros mais vendidos e recentemente causaram alvoroço por dominarem também boa parte da programação da maior festa dos livros no país, a Bienal do Livro de São Paulo. Contudo essa é uma discussão que poderíamos chamar de clichê, hoje é com os youtubers, ontem foi com os eróticos e a literatura fantástica e amanhã sabe-se lá com o que será. E no fundo todo esse debate acaba sendo desnecessário e irrelevante porque é preciso diferenciar vendedores de livros e escritores, ambas figuras muito caras às editoras.

Não estou dizendo, porém, que não encontraremos publicações relevantes vindas de youtubers, há sempre essa possibilidade como há com qualquer outro autor, entretanto esses filões explorados pelas editoras são essenciais para manter um sistema onde sim se encontrarão obras literárias, mas que se não houvessem os vendedores de livros talvez não viessem nunca à luz do dia. E se vocês tomarem os youtubers como vendedores de livros não esquentarão muito com questões inócuas cuja gritaria não trará nada além de mais propaganda. Aliás, aqui cabe um destaque, o mercado dos livros possui estas duas vertentes, o puro entretenimento, o comércio, local em que sim, os youtubers inserem-se, e o da literatura em si. A própria questão da Bienal do Livro é um exemplo, é uma feira comercial, de mercado, então como não estariam por lá aqueles que hoje sacodem, agitam e vendem livros mesmo em tempos de crise? E isso não significa que não haja eventos apenas para a literatura, caso da Flip.

Enfim, o que gostaria de dizer aqui é justamente isso:  É desnecessário, inócuo e contraproducente sem enveredar em longas discussões sobre as publicações de youtubers. Essa turma reúne milhares de seguidores, mais do que tudo, para o mercado eles reúnem milhares de clientes em potencial, clientes que se confirmam quando olhamos as listas de mais vendidos. Sucesso editorial que colabora para a estrutura de todo um sistema, afinal, como existiriam as editoras se não houvesse dinheiro para pagar as contas, pagar muitas vezes obras relevantes mas inviáveis economicamente. De certa forma todo livro de entretenimento é essencial para os livros de literatura, aliás, infelizmente, apenas obras consideradas alta ou boa literatura não manteriam o sistema, vide qualquer entrevista de autor ou editor. E nisso os youtubers são experts, especialistas em marketing e relações sociais que criam grandes redes em seu entorno. Além disso, ninguém detém o controle do que virá a ser considerado no futuro algo importante para literatura, vá lá... Bem, o caso é que nossos ótimos vendedores de livros aquecem um mercado que geralmente não é prioritário, ademais chama a atenção que jovens via de regra diante de todo um aparato tecnológico dão vida e sustentação para uma das artes mais antigas e importantes (que muitos decretaram a morte) que é o formato em livro. Com isso abrem as portas à leitura, que se não ficar só nisso pode ser uma grande colaboração para a literatura pois no mínimo eles mantém viva a relação e a experiência dos jovens com livros.



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