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Por que não Bob Dylan?



Antes de mais nada, devo confessar que pouco conheço do trabalho de Bob Dylan, contudo não é sobre ele este pequeno texto, mas sim sobre a polêmica criada com a escolha de suas composições como motivação para o Nobel de Literatura 2016, escolha que gerou uma série de polêmicas, muitas vindas de autores e críticos literários questionando a escolha. Contudo, não deveríamos nos perguntar por que não Bob Dylan?

Obviamente há uma série de questões a serem debatidas e refletidas com mais profundidade, entretanto a relação das composições com a literatura não é recente, afinal, quantas canções ou trovas populares da tradição oral hoje não estão consolidadas em nosso cânone literário. Além disso, precisamos ter também em mente toda a dificuldade de definição teórica sobre o que é, ou não é literatura, pairando portanto a dúvida como mais um elemento que não torna absurda a escolha. Aliás, sobre o que torna-se ou não literário geralmente escapa das definições e mesmo formas inesperadas entram par o cânone. Vejamos, por exemplo a cânone dos estudos literários no Brasil em que não podemos deixar de estudar a carta de Pero Vaz de Caminha, os sermões de Padre Vieira ou a própria literatura quinhentista com seus cronistas aventureiros. Ademais observar a composição como artefato que no mínimo mantenha relação com a literatura não é novidade alguma para professores, inclusive, que muitas vezes utilizam-se das composições para aproximar estudantes da poesia (aliás, para alguns é na composição que encontramos o melhor da poesia contemporânea); tal prática inclusive não se dá tão somente na escola, mas nas universidades muitas vezes deparamo-nos com olhares para as composições.

Por fim, sem que entremos no mérito da premiação de Dylan não deveria a literatura antes de tudo realizar uma grande reflexão? Não seria sintomático que o Nobel de Literatura pelo segundo ano consecutivo escolhesse algo alheio ao esperado? Não representaria a questão das escolhas do maior prêmio literário do mundo uma crise do romance, da poesia? Antes de cravarmos apoio ou crítica à escolha não deveríamos antes de tudo refletir sobre as causas, as motivações para tais escolhas? Obviamente são muitas perguntas, entretanto o que fica é a sensação de que o lírico talvez precisem se reinventar pois talvez suas ausências no Nobel possa refletir e larga escala suas fragilidades ou a própria incapacidade de executar um papel relevante e inovador. Diante esses breves pensamentos continuo a perguntar-me, por que não Bob Dylan?

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