Swift

Há pelo menos uma boa notícia no sucesso editorial de "youtubers"



Foi a editora Novo Conceito que inaugurou o filão brasileiro de livros oriundos de canais do Youtube com o sucesso editorial de Eu Fico Loko, de Christian Figueiredo que já vendeu mais de 180 mil exemplares. Com o sucesso garantido o lançamento do segundo livro causou frisson no público participante da Bienal do Livro do Rio de Janeiro, publicação esta que já ultrapassou os 70 mil livros vendidos. E a tendência só aumenta, especialmente pelo sucesso de outras obras originárias de publicações no site de compartilhamento de vídeo como os sucessos recentes de Dois Mundos, Um Herói do gamer e youtuber RezendeEvil que mescla narrativas, games e vídeo numa publicação que foge um pouco do comum neste tipo de publicação, a ficção; e mais espantoso ainda é o sucesso editorial da vloguer  Kéfera que conseguiu com seu livro Muito Mais que 5inco Minutos vender mais que 185 mil exemplares em menos de meio ano de publicação. Obviamente tamanho sucesso levanta uma série de discussões, algumas abordaremos aqui.

E o que já se vê e se verá ainda mais será o acirramento da discussão sobre a relevância dese tipo de publicação (eu mesmo brinco com isso no Listas Literárias) retomando uma divisão antiga no mercado editorial brasileiro que é entre literatura e publicações comerciais. E minimizemos a importância dessa discussão, pois numa país de poucos leitores certamente o que se lê deve ser encarado com certa preocupação. Da mesma forma não podemos condenar quem busca praticar uma literatura engajada e compromissada que se vê acuado pelo tipo de material de sucesso no mercado, mas tampouco podemos condenar sumariamente quem consegue fazer algo no Brasil considerado pela maioria impossível, viver de livros. Contudo, não salvaguardemos ninguém das críticas, porém isto pode ser pauta para um novo texto, pois aqui, hoje pretendo a despeito de qualquer discussão de mérito de tais publicações (e a que li deste segmento é um anto sofrível) olhar como qualquer crítico ou interessado em literatura deveria olhar para o fenômeno: uma busca pela compreensão do fenômeno, bem como buscar encontrar elementos positivos.

A primeira coisa que podemos observar é que não deveríamos estranhar tanto sucesso, já que o leitor brasileiro, independente de discussão de mérito, sempre demonstrou certa preferência por leituras não ficcionais, o que sempre pode ser comprovado pelas principais listas de mais vendidos ou pela boa quantidade de romances biográficos a que muitos literatos se curvaram. Portanto, sempre houve espaço para esse tipo de publicação, e não é de agora que pessoas influentes no Brasil publicam livros e faturam sobre suas próprias famas. O mesmo já ocorreu co artistas, políticos, jornalistas, etc... a grande mudança é que hoje em dia a influência não está mais na televisão, tribunas, etc... mas sim na internet que é onde se realiza uma verdadeira revolução cultural. Dito isto, gostaria de me concentrar num elemento que a princípio parece-me elencar pelo menos uma boa notícia nessa polêmica toda.

Há muito se anuncia a morte dos livros. Com o advento dos e-books esse coro aumentou mas com a prática e a realidade, hoje, dizer que os livros estão morrendo pode ser no mínimo, temerário. E essa explosão do sucesso editorial dos livros de youtubers atesta a vitalidade do objeto livro. Quando uma editora se dispõe a criar um projeto desse tipo não é por bondade ou trabalho social, mas sim porque há público interessado em consumir, em comprar livros. Vejamos que em geral, esses jovens autores já ganham razoavelmente bem com suas publicações na internet, e a princípio não há necessidade financeira para publicar um livro, a necessidade é outra: criar mais um produto para suas legiões de fãs, fãs que compram livros. livros impressos. E isso ocorre há muito tempo, desde quando contos e romances de tradição oral foram sendo impressos em livros, e desde essa invenção por mais que surjam novas tecnologias, os livros continuam no gosto das pessoas. Há certo fetiche em ter-se um livro.

Portanto, podemos odiar ou amar o sucesso financeiro e editorial de livros que atualmente dominam as principais listas do país, no entanto, não podemos negar que isso reforça a relevância que damos aos livros, independentemente de seus conteúdos. Seria necessário um ensaio de centenas de páginas para tentar compreender o fascínio que os livros provocam, mas o fato é que todas as narrativas em diferentes plataformas, numa hora ou outra, podem virar livros. Autores de livros digitais, depois do sucesso nos e-books muitas vezes tornam-se sucessos impressos, páginas de redes sociais já ganharam formato de livro com êxito, games, e então mais recentemente os youtubers com seus milhões de inscritos num ano difícil aquecem o mercado editorial num país que quase não gosta de livros. Enfim, ainda não podemos cravar um apocalipse para os livros, e quiçá, se nos tornarmo-nos um país que gosta de livros, aí sim é que eles jamais morrerão. 




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